Figueiredo, o autor da fotos antigas do Jardim Amanda

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Renato Figueiredo chega no Jardim Amanda em 1985 e inicia a tarefa de documentar a grandeza do bairro, desde o inicio

O autor das fotos antigas e responsável pela documentação de um período importante do bairro tem seu depoimento documentado nessa conversa. 

Renato Figueiredo é mineiro de Presidente Juscelino, município distante a 215 quilômetros de Belo Horizonte, chegou em Campinas em 1979, e em 1985 muda-se para o loteamento no Jardim Amanda. Casado com Marlene Figueiredo, tem tres filhas, Carla, Jaqueline e a caçula Amanda, uma homenagem ao bairro onde construiu parte da história de sua vida. Figueiredo chegou ao Jardim Amanda por conta do sonho da grande maioria de seus moradores, sair do aluguel.

“É uma alegria muito grande para eu contar essa história. Eu morava em Campinas e ouvia o programa de rádio do Zé Bétio, de manhã ele batia umas latas no programa que dizia assim: Dona de casa acorda seu marido e vai comprar um terreno no Jardim Amanda. Um terreno de 250 metros quadrado para sair do aluguel. Com essa propaganda na Rádio Record eu vim comprar o terreno aqui, que ainda pertencia a Sumaré. Era janeiro de 1985, no dia 6 de setembro de 1985 eu mudei para o Jardim Amanda. Foi uma grande alegria”.

O Jardim Amanda nesse período era um loteamento recém inaugurado. As vendas dos terrenos ainda eram tímidas. Figueiredo trabalhava com fotografia, e como ele mesmo diz, fotografava tudo o que via. Ele via o descampado de mato e terra que era o Jardim Amanda e sob uma perspectiva visionário começou a registrar o bairro, sempre com a expectativa de crescimento e desenvolvimento daquele descampado. Figueiredo é um dos poucos, pouquíssimos a ter o registro documental e de memória do Jardim Amanda. Documento fotográfico que certamente será submetido ao rigor dos órgãos públicos responsáveis pela conservação de documentos históricos.

 

“Foi muito fácil para mim, eu já estava fazendo um curso de fotografia, registrava qualquer coisa na minha frente, eu gostava do que fazia, era uma dedicação. Eu registrei todo o movimento do Jardim Amanda, desde o primeiro comércio do bairro, o primeiro posto de gasolina, a faculdade. Então tá tudo registrado, um registro que fala a verdade”.

O registro fotográfico e documental de Renato Figueiredo é denso pode acreditar, e o que vemos nas redes sociais, aquelas fotos antigas do Jardim Amanda reproduzida indiscriminadamente sem que a maioria saiba quem é o autor é apenas parte do material produzido por Figueiredo ao longo dos 40 anos de Jardim Amanda.

“Vou falar um pouco sobre isso, até porque eu conheço um pouquinho das fotografias. É lamentável porque tem pessoas que acabam usando sua foto sem pedir autorização. Eu dava palestras nas escolas e eu levava muitas fotos para mostrar e falar. As vezes as pessoas iam e fotografava as fotos, e depois começaram a postar. Não questionei e nem entrei em detalhes, mas as pessoas tinham que entender que é um acervo de fotos, e que para divulgar precisaria de autorização. As pessoas tinham que ter conhecimentos da lei, mas tudo bem, a gente deixa passar”.

Para além do trabalho documental Figueiredo também participou dos movimentos sociais e políticos por melhorias de infraestrutura do Jardim Amanda. A luta por água, saneamento básico, transportes, escola, asfalto, segurança e saúde são pautas que fizeram os moradores se unirem e reivindicassem junto a prefeitura e governo do Estado melhorias. Até Brasília entrou no radar desses movimentos do Jardim Amanda, e quem foi representar o bairro nessas lutas nos idos do Governo Collor foi Renato Figueiredo.

“Vou falar com toda a propriedade, quando chegue aqui Hortolândia ainda pertencia a Sumaré, e o bairro tinham poucas pessoas, e os que tinham criamos a Associação dos Moradores. O primeiro presidente foi o seu Cleofe conhecido como Carlão, depois o Antonio do Fumo, a Lourdes e a Lurdinha da creche. Conseguimos montar a sociedade amigos do bairro para trabalhar no Jardim Amanda. Não foi fácil, não tinha ônibus, rede de água, as ruas de terras com barro e poeira. Foi um sofrimento muito grande. Depois que criamos a sociedade e nos envolvemos com a política começamos ir a Sumaré bater de frente com o governo do prefeito José Denadai, daí conseguimos alguma coisa”

“A água por exemplo, eles mandavam a cada 15 dias um caminhão pipa para abastecer as caixas de água dos moradores. Muitas vezes as mulheres iam para a lagoa pegar água para lavar roupa, louça e até beber. Através da Sociedade amigos de bairro conseguimos muita coisa; trouxemos a linha de ônibus para dentro do bairro, colocar os cascalhos nas ruas principais do Amanda. Foram muitas conquistas, isso é um resumo”.

De fato, foram muitas conquistas, fruto da mobilização da população. O bairro possui envergadura maior do que muitas cidades da região. Quem participou da luta do passado descansa e usufrui da comodidade que o jardim Amanda proporciona atualmente. No entanto os tempos atuais exigem outras e novas lutas políticas. Para saber quais são, é necessário se dispor de tempo e pés nas ruas do bairro para descobrir.

“O Jardim Amanda tem tudo, redes de supermercados, várias farmácias, um comércio já constituídos. Como presidente da Associação Comercial tenho acompanhado o movimento e o crescimento da cidade e do Jd Amanda. Se voce entrar no Jardim Amanda pela Avenida Brasil lá em cima voce observa o potencial econômico do bairro. As pessoas comentam sobre o tornar o Jd Amanda distrito, são quase 80 mil habitantes e se tiver uma política séria é possível, desde que esteja em consonância com o estatuto da cidade e com a lei”

São muitas lembranças, são muitas histórias, são vários mundos dentro do Jardim Amanda. E sendo muitas histórias pode acreditar, cada morador tem aquelas lembranças que marcaram e marcam suas vidas. Dentre as que narrou até aqui Figueiredo lembra de um episódio marcante.

Figueiredo em Brasília no inicio dos anos 90 para a luta do CAIC no Jd Amanda. Foto Acervo Figueiredo

“Passamos por momentos difíceis aqui, entre 97 e 98 a criminalidade estava em alta no bairro, tinham mensagem pregada nos postes que ameaçavam as pessoas de morte. A imagem do bairro para fora era de um lugar perigoso semelhante a baixada fluminense. Criamos uma comissão de moradores e fomos até o governador, depois criamos a Conseg, conselho de segurança. Trouxemos o 2ºDP para o bairro e depois a Policia Militar. A violência existe em todo o lugar, e aqui ela diminuiu. e hoje está tudo certo, controlado e tranquilo. O Jardim Amanda representa tudo, eu só tenho a agradecer ao bairro. Tenho orgulho”

O bairro abrigou como qualquer outro lugar todo tipo de problema, a falta de segurança perdurou por período e marca a lembrança de cada morador. A falta de segurança no Jardim Amanda fez fama, mas essa fama mudou. Quando se fala de Jardim Amanda atualmente, a primeira imagem que vem a mente é de um residencial grande como cidade onde se encontra tudo. Isso revela e destaca a grandeza desse território que um dia se caracterizou por ser um descampado. A vocação hoje é ser e permanecer grande, como cada um de seus moradores. Como Figueiredo por exemplo. Parabéns Jardim Amanda por seus 40 anos.

Acervo Figueiredo

 

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